João Martins, diretor do Lisboa Challenger: “É notória a qualidade dos portugueses enquanto anfitriões. Somos um destino de eleição”

 

A poucos dias do arranque de mais uma edição do Lisboa Challenger, que decorre no Clube de Ténis de Monsanto, entrevistámos o diretor geral da prova, João Martins, para nos contar aquilo que podemos esperar e qual a principal aposta da organização em relação a este ano.


  • Bola Amarela (BA): Qual foi o feedback dos parceiros, dos jogadores e da World Padel Tour em relação à edição do ano passado?

 

João Martins (JM): O feedback foi de muita vontade que houvesse continuidade.  É um torneio que, talvez por ser o primeiro mas também pelo número de jogadores nacionais que atrai, goza do carinho de todos.  

No caso do WPT sentimos que perceberam a necessidade que existe em aumentar o número de wildcards, e na importância que isso pode ter no sucesso dos eventos internacionais.  Já o havíamos defendido no passado quando garantimos os primeiros WCs da história do circuito, e sentimos a satisfação da WPT em contribuir para a internacionalização dos torneios.

 

  • BA: E perante uma edição de 2017 que, de modo geral, correu tão bem, qual foi a estratégia para melhorar a edição deste ano?

 

JM: Apesar de ser o terceiro ano do evento, para a Lagos é o ano zero. Onde queremos “sentir” o evento e trabalhá-lo com tempo para o futuro. Mas, em termos de estratégia, o Challenger no passado apostava sobretudo na questão do ranking dos jogadores:  que vinha o jogador número 18 do mundo, ou número 24 do mundo. O que sentimos é que o espaço do Challenger não era esse, pois estando vedado ao top-16 mundial iria ficar sempre em segundo plano em comparação com o Masters.  Mas vimos aqui uma oportunidade para dar palco aos melhores jogadores jovens e aos talentos portugueses, que por norma não têm tantas oportunidades no Masters, mas que merecem oportunidades e atraem muito público também.

E, com o Road to Masters, procuramos começar no Challenger uma ligação que se quer umbiliacal entre os jogadores portugueses, e o melhor padel mundial.  

 

  • BA: O que é que o Lisboa Challenger de 2018 tem como principal diferencial relativamente à edição do ano passado e à de dois anos, para além do local?

 

JM: O foco do torneio. Procurámos começar no Challenger uma ligação que se quer umbilical entre os jogadores portugueses, e o melhor padel mundial.  Foi por isto que insistimos no tema dos dois wildcards, e que criámos o “Road To Masters” – uma competição paralela onde duplas com jogadores nacionais (Masculinos ou Femininos) podem competir para ganhar o Wild Card para o Masters.

Este ano temos 17 duplas com jogadores nacionais, quatro das quais com entrada directa no quadro. Isto nunca aconteceu na história do WPT!

 

  • BA: Sente que há jogadores que regressaram porque realmente se sentiram bem aqui em 2017?

 

JM: Naturalmente. É notória a qualidade dos portugueses enquanto anfitriões, se juntarmos cidade de Lisboa com o crescimento e dinâmica actuais, somos um destino de eleição. Preocupa-nos agora juntar a ambição desportiva a essa vontade dos jogadores em regressar, e que sintam a conquista do Lisboa Challenger como um marco no caminho dos grandes campeões de futuro.  

 

  • BA: De um modo geral, como analisa a evolução do padel em Portugal ao longo do último ano?

 

JM: Incrível. Não só pelos números que não deixam margem para dúvidas – o Padel é a modalidade que mais cresce – mas porque se sente esta dinâmica no dia a dia.  Parece que toda a gente fala de Padel, que toda a gente joga, que toda a gente está com “o bichinho”.

Se juntarmos a isto a quantidade e qualidade de eventos internacionais que têm sido sediados em Portugal, é realmente um fenómeno ano após ano.  

 

  • BA: Acha que este é um desporto que já deixou de ser apenas social por cá, e passou também a ter fãs e verdadeiros seguidores da modalidade ao longo do ano inteiro?

 

João Martins é o diretor do Lisboa Challenger 2018 e o diretor geral da Lagos.

JM: Há dois ou três anos dizíamos que o público do padel eram os jogadores. E a vitalidade desse segmento está nos clubes e nos torneios: courts cheios, inscrições no limite, iniciativas de todos os tipos e para todos os clientes.  Damos como exemplo o Expresso BPI Padel Trophy (Campeonato Nacional de Empresas) em que temos para cima de 600 pessoas a jogar uma prova que requer ainda alguma coordenação de agendas.

Mas hoje já não são só os jogadores: há fãs a seguir jogadores e o circuito WPT, a comprar bilhetes para os jogos, a acordar ao domingo de manhã para ver as finais internacionais por streaming.  Estamos no inicio deste “segundo momento” no desenvolvimento da modalidade, mas já faz parte do tecido da mesma. Recordo que tivemos casa cheia num estádio para 2,000 pessoas no Masters do ano passado nos últimos dias, e mais 76,000 a ver em casa pela Sport TV.  Isto não contabilizando o streaming, que inclui obviamente espectadores internacionais mas que ultrapassa um milhão. É brutal.

 

  • BA: Espera várias sessões de casa cheia?

 

JM: Sim, sabendo que os torneios “se constroem”.  Quem vive os primeiros dias vai ganhando o interesse pelos heróis desta edição, vai testemunhando os embates, partilhando a viagem emocional com os jogadores.  Quando chegam às fases mais decisivas do quadro, já “adoptaram” um favorito, e pegam esse entusiasmo aos amigos. No caso dos jogadores portugueses, esse efeito é catalizado pelos próprios.  

Portanto esperamos casa cheia, com os jogadores nacionais e nas fases finais!

 

  • BA: Tem favoritos à vitória para este ano?

 

JM: Tenho duas ou três duplas que acredito serem favoritas à vitória.  E tenho esperança numa caminhada triunfante com um cheirinho a Portugal.

 

  • BA: Que mensagem deixa a todos aqueles que estão a pensar em ir ao Lisboa Challenger este ano?

 

JM: Para quem nunca viu, venham “experimentar”– é um jogo cativante e espectacular, e vão ficar viciados. Para os entusiastas, é aqui que vão conhecer os ‘Belas’ de amanhã!

Sobre o autor
- Licenciado em Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa. Jornalista da GQ Portugal e colaborador do Bola Amarela desde novembro de 2011, pouco tempo depois de começar a seguir mais atentamente o mundo do ténis. Pretende nunca mais parar.

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