Sloane Stephens: “Devia reformar-me já porque nunca vou ser capaz de igualar este momento”

É uma das história mais bonitas de 2017 no mundo do ténis: depois de uma operação em janeiro, de dezenas de sessões de fisioterapia em que praticamente ‘reaprendeu’ a andar e de há seis semanas nem sequer estar entre as 900 melhores do mundo, Sloane Stephens é a campeã do Open dos Estados Unidos. O orgulho no discurso durante a cerimónia não poderia ser maior, e a mensagem de carinho para com a sua amiga também não poderia ser mais atenciosa.

De facto, Madison Keys e Sloane Stephens quebram por completo a ideia de que no ténis feminino não há amizades. Logo após terminar o encontro e de ter ido cumprimentar a sua equipa, a jogadora de 24 anos viu a sua amiga em lágrimas e não pensou duas vezes: parou com os abraços, ignorou as 23 mil pessoas que estavam a bater-lhe palmas e foi ter com Keys, para a consolar.

“A Madison e eu somos das melhores amigas no circuito e não queria ter jogado com mais ninguém aqui, esta noite, do que contra ela”, disse Stephens. “É um momento especial para ambas e gostava que pudesse haver um empate, mas se fosse ao contrário ela teria feito o mesmo por mim. Eu vou apoiá-la sempre o o contrário também vai acontecer. É assim que a amizade funciona”.

Em relação a uma recuperação sem precedentes, desde meses e meses de muletas até ter um troféu do Grand Slam entre mãos, a futura número 17 do mundo foi sincera: há meio ano, teria considerado este um cenário totalmente impossível.

“É incrível. Honestamente, tive uma operação a 23 de janeiro e se alguém me tivesse dito que eu iria ganhar o Open dos Estados Unidos teria dito que era totalmente impossível. Todo meu percurso até aqui, com uma equipa incrível comigo… tudo isto foi fantástico e honestamente não trocaria isto por nada deste mundo”.

Stephens agradeceu especialmente à sua mãe, por todo o apoio, e brincou ao dizer que “devia retirar-me agora, porque nunca vou ser capaz de igualar este momento”. Foi com “a melhor atitude e a melhor equipa” que conseguiu enfrentar todo o processo de recuperação, “e as coisas acontecem. Nas últimas cinco ou seis semanas as coisas aconteceram e só tenho de agradecer a todos os que estiveram comigo. Este momento é para todos nós”.

Um final feliz, para uma história feliz.

Sobre o autor
- Licenciado em Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa. Jornalista da GQ Portugal e colaborador do Bola Amarela desde novembro de 2011, pouco tempo depois de começar a seguir mais atentamente o mundo do ténis. Pretende nunca mais parar.

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