Muster sobre Thiem: «Pode ser número 1, mas o caminho não é fácil. Baixem as expectativas»

O ex-número 1 mundial, Thomas Muster, em entrevista ao Tennisnet admite que apesar de o seu compatriota Dominic Thiem ter potencial para atingir grandes feitos, as expectativas sobre tal devem ser moderadas.

“Ele (Thiem) pode ser número 1, mas o caminho não é fácil. Para já é top-10 e vai tendo altos e baixos. Este ano, por exemplo, tem vários pontos a defender quase todas as semanas”, analisa Muster, antes de pedir tempo para o número 9 mundial. “Eu nunca lhe diria para fazer isto ou aquilo. Dêem-lhe tempo, deixem-no descansar e baixem as expectativas. O sucesso virá, não o elevem a um patamar irreal para de seguida o deitar a baixo. Sejam justos”.

Acerca da sua própria carreira, o austríaco acredita que a mudança para uma pega mais longa na raquete com o objetivo de melhorar em hard courts, acabou por prejudicar as suas performances em terra batida. “Eu procurava maneiras de melhorar o meu jogo em hard courts e a mudança de raquete ajudou. Ganhei no Dubai e em Key Biscayne e cheguei às meias-finais na Austrália. Mas o meu jogo em terra batida sofreu muito”, adianta o bicampeão do Estoril Open.

“Jogar com uma raquete mais longa em hard courts e outra mais curta em terra batida não é fácil, mesmo em termos emocionais”

Muster explica as razões por trás disso. “Na Taça Davis contra a Croácia em Graz, eu reparei que a raquete era muito longa. Não conseguia aplicar os meus ângulos. Funcionava em piso rápido, mas não em terra batida”. Apesar de ainda ter tentado uma mudança, o austríaco acredita mesmo que esta alteração esteve na origem do fim da sua carreira. “Ainda tentamos voltar atrás, mas não funcionou. E depois jogar com uma raquete mais longa em hard courts e outra mais curta em terra batida não é fácil, mesmo em termos emocionais. Foi o princípio do fim”.

Sobre esse final, nomeadamente a decisão de abandonar a competição em 1997, o campeão de Roland Garros acredita que podia ter dado mais, mas simplesmente não era essa a sua vontade. “Poderia ter jogado mais anos, fazer ainda mais dinheiro. Mas eu não era assim, eu não queria mais. Juntei os meus patrocinadores e disse ‘É agora!’”, refere. “Quando vês que treinas mais e ganhas menos e que há uma nova geração a aparecer, o teu tempo está a chegar. Quando parei estava no top-20, penso. Mas quando és o número 20, 30 ou 40, a satisfação já não é tão grande”.

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