Jornalista diz que apanha-bolas não são “escravos romanos” e quer proibir jogadores de bater a bola no chão

Esta é uma discussão que tem gerado opiniões diferentes de ambos os lados: enquanto uns adoram o ténis com todos os seus encantos e defeitos, outros são da opinião de que deveriam ser implementadas novas mecânicas e regras de forma e encurtar a duração dos encontros. Quem tem tem esta última opinião é Marshall Jon Fisher, um especialista de ténis que propõe até algumas medidas bastante drásticas para que os encontros não durem durante horas a fio.

Autor de vários livros relacionados com ténis, Marshal Fisher escreveu nesta segunda-feira um crónica de opinião para o conceituado site da “Sports Illustrated”, onde partilhou o seu ponto de vista sobre um assunto já muito debatido. Mas em vez de propor colocar um relógio em contagem decrescente no court ou abolir o aquecimento antes dos encontros, como muitos sugerem, o escrito norte-americano foi ainda mais longe.

“Os jogadores passam uma fração considerável do tempo de encontro (e do nosso tempo enquanto espetadores) à espera da toalha como ritual de boa sorte, a inspeccionar cinco ou seis bolas e depois especados na linha de fundo a bater a bola repetidamente (…). Não é necessário. Eu não sou profissional, mas já disputei encontros competitivos de ténis na minha vida e nunca, nunca bati com a bola“, começou por dizer Fisher.

Para acabar com este último ritual, que tanto tempo e ritmo tira ao encontro, o cronista é da opinião que se deve “penalizar o bater da bola no chão como se penaliza a destruição das raquetes. Uma “batida”, um warning, À próxima, perde o ponto. Depois um jogo, um set e o encontro“. Desta forma, segundo o próprio, os jogadores iriam parar com essa rotina “e estas penalizações passariam a ser raras”. Mas não é só:

“Os jogadores poderiam também parar com as suas obsessões de agir como se fossem analistas de uma fábrica de bolas de ténis antes de cada ponto. Eu entendo que uma bola poderá estar melhor do que a outra, até eu olho para as duas bolas na minha mão e escolho a melhor para servir. Mas… eu não abro duas latas de bolas a cada nove jogos”

Marshall Jon Fisher vai ainda mais longe e acusa os jogadores de tratar os apanha-bolas em court “como escravos de banho romanos, obrigados a apanhar as toalhas suadas dos jogadores, algo que tem tomado muito tempo“. O autor não de mostra propriamente contra a limpeza do rosto “quando é realmente necessário”, mas diz que esta hábito “tornou-se numa rotina compulsiva”, o que prejudica o espetáculo.

A crónica foi partilhada nas redes sociais por Jon Wertheim, chefe de redação da Sports Illustrated, e as críticas negativas não tardaram em chegar. Algumas foram até dadas pelos próprios jogadores, como é o caso de Sergiy Stakhovsky e de Coco Vandeweghe:

 

Sobre o autor
- Licenciado em Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa. Jornalista da GQ Portugal e colaborador do Bola Amarela desde novembro de 2011, pouco tempo depois de começar a seguir mais atentamente o mundo do ténis. Pretende nunca mais parar.

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