Genie Bouchard: «Ter “haters” significa que alcancei algo na vida»

A um mês e meio de completar 23 anos, a carreira de Eugenie Bouchard já passou por muito apesar de ser ainda curta. A jovem canadense tem sido apontada como uma das futuras estrelas do circuito feminino mas ultimamente os resultados não têm aparecido e, apesar de ainda se manter no top-50, espera-se mais, muito mais daquele que é o seu ténis. Em entrevista ao “The Sydnay Morning Herald“, Bouchard falou sobre o seu atual momento de forma e como lida com as dezenas de comentários de ódio que recebe diariamente.

Uma simples pesquisa pelo Facebook de Genie Bouchard é o suficiente para encontrar centenas, milhares de mensagens negativas em relação à jovem devido aos seus últimos resultados. Apostadores, fanáticos ou simplesmente os chamados “haters”, muitas são as pessoas quase obcecadas em evidenciar tudo aquilo que está (ou por vezes não está) de errado numa fotografia ou num vídeo, algo que pode ser difícil de digerir para alguém ainda tão novo.

Para Bouchard, todos esses comentários dão-lhe até uma motivação extra: “as pessoas são invejosas, mas isso faz parte. Ter todos aqueles “haters” significa que alcancei algo na vida. Para mim, o ténis é a prioridade número um. As pessoas dizem “tiras mais fotografias do que treinas”, e eu provavelmente faço menos sessões fotográficas do que muitas outras jogadoras mas recebo todo o ódio. As pessoas vão sempre criticar, por isso vou apenas fazer a minha vida”.

Atualmente no 46.º posto da hierarquia mundial e sem qualquer troféu no palmarés desde 2014 (disputou duas finais em 2015), Bouchard admite que neste momento os resultados não estão a aparecer, mas depressa pergunta: “qual é o mal?”. Para a jovem “ter resultados e ser conhecido fora do mundo do ténis por fazer coisas diferentes, aparecer nas revistas”, trata-se de “aproveitar as oportunidades” que vão aparecendo pelo trabalho realizado. “Nenhuma pessoa com 22 anos tem as capacidades que eu tenho ou alcançou tanto como eu. Se a minha carreira terminasse amanhã já teria valido a pena“, acrescentou.

Porque ser “uma campeã e bem sucedida é solitário”, poderia prever-se que Genie procurasse nas colegas do circuito algum tipo de companheirismo, não fosse com elas que passa a maior parte do tempo. Mas não. “Sou amigável com as minhas parceiras no circuito, mas não considero ninguém uma verdadeira amiga. Prefiro focar-me no meu trabalho, é um sacrifício duro, mas traz benefícios”, referiu Bouchard, seguindo a mesma linha de pensamento de outras colegas.

Genie Bouchard estreou-se em 2017 no torneio de Brisbane, mas perdeu na ronda inaugural do quadro principal frente a Shelby Rogers, 59.ª WTA.

Sobre o autor
- Licenciado em Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa. Jornalista da GQ Portugal e colaborador do Bola Amarela desde novembro de 2011, pouco tempo depois de começar a seguir mais atentamente o mundo do ténis. Pretende nunca mais parar.

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