Como era o mundo quando Federer e Nadal se defrontaram pela primeira vez?

Há quem fale num inesperado regresso ao futuro, mas o que os tão almejados confrontos entre Roger Federer e Rafael Nadal na final do Open da Austrália, nos oitavos-de-final de Indian Wells e, agora, na final do Miami Open merecem é uma rápida mas muito conveniente viagem ao passado.

Mais que não seja para relembrar os mais distraídos de que se passaram 13 anos desde aquele primeiro encontro em Miami.

O que parece que foi ontem aconteceu em 2004, quando estávamos todos ainda longe de prever que aquela terceira ronda do Masters 1000 norte-americano seria o início da mais intensa relação de (des)amor da história da modalidade e que, imagine-se, a felicidade viria a ser medida pelo conteúdo do feed de cada um nas redes sociais. #bemvindoa2004:

– Não existia Instagram ou Twitter, e o Facebook era ainda um recém-nascido, tinha um mês de vida. Queria saber o que os seus amigos andavam a fazer? Havia isto:

– Hawk-Eye? Nem vê-lo. A palavra dos árbitros era ainda sagrada. O sistema eletrónico de arbitragem só se tornou oficial em 2006, no Miami Open.

– Longe estava Portugal (e a Europa) de saber que alguém de seu nome Ederzito António Macedo Lopes seria proclamado herói nacional.

– Ronaldinho Gaúcho era eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA e o FC Porto sagrava-se campeão nacional nessa época.

– O Bola Amarela ainda não tinha sequer sido criado, e há agora pessoas na equipa que em 2004 tinham… 7 anos.

– O que faltava a Rafael Nadal em tecido sobejava em cabelo.

– George W. Bush era o Presidente dos Estados Unidos e Jorge Sampaio orientava os interesses da República por cá.

– Roger Federer já conhecia Mirka, mas ainda não era casado nem tão pouco sabia que tinha (quase) tanto jeito para conquistar Grand Slams como para conceber filhos aos pares.

– Alicia Keys – favorável ainda aos benefícios de um bom blush e de um eyeliner bem delineado – encantava com o seu  The Diary of Alicia Keys, um dos álbuns do ano.

– Genie Bouchard já conhecia Maria Sharapova, mas não as vantagens da selfie.

– A selecção portuguesa ainda não sabia (mas estava perto de saber) o que era perder duas vezes com a Grécia no espaço de algumas semanas.

– Rui Machado era o então número um nacional.

– Encher o depósito de um carro a gasóleo custava 1,03 euros, menos seis cêntimos do que custava atestar uma viatura a gasolina.

– Livre de impostos eram as gargalhadas que se davam graças a Bruno Nogueira e companhia no Levanta-te e Ri, programa da SIC líder de audiências após o horário nobre.

– Taylor Fritz, agora com 19 anos, casado e prestes a ser pai, estaria a aprender os ditongos em qualquer turma do sexto ano de uma escola primária na Califórnia.

– Chegava às salas de cinema o terceiro filme da saga Harry Potter. Entretanto, já se fizeram mais cinco e o miúdo da cicatriz na testa, Daniel Radcliffe, cresceu a “palmos vistos”:

– À exceção de Roger Federer, todos os jogadores no top 10 na semana em que o primeiro encontro ‘Fedal’ aconteceu se reformaram:

1. Roger Federer
2. Juan Carlos Ferrero
3. Andy Roddick
4. Guillermo Coria
5. Andre Agassi
6. Rainer Schuetller
7. Carlos Moya
8. David Nalbandian
9. Lleyton Hewitt
10. Tim Henman

– Meredith Grey ainda não existia – entretanto enviuvou, tornou-se dona do hospital e tem quase tantos filhos como Roger Federer.

– A Padaria Portuguesa, a tal pastelaria que tem no pão de Deus o seu produto sagrado, ainda não tinha encontrado a receita certa para a multiplicação das lojas. Agora são 50, em 2004 havia zero.

– Ainda o mundo não conhecia a “super bowl” de Janet Jackson. A polémica apresentação foi feita por Justin Timberlake em novembro, durante o evento desportivo do ano nos EUA.

Sobre o autor
- Descobriu o que era isto das raquetes apenas na adolescência, mas a química foi tanta que a paixão se mantém assolapada até hoje. Pelo meio ficou uma licenciatura em Jornalismo na Escola Superior de Educação de Viseu e um Secundário dignamente enriquecido por cadernos cujas capas ostentavam recortes de jornais de Lleyton Hewitt. Entretanto ganhou (algum) juízo, um inexplicável fascínio por esquerdas paralelas a duas mãos e um lugar no Bola Amarela. A escrever por aqui desde dezembro de 2013.

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