Estes são os seis courts mais insólitos da Taça Davis

Ténis jogado nos locais mais inapropriados. É sobre isso que se seguem as próximas linhas, escritas tendo como ponto de partida o mote dado pela seleção francesa, que levou a Taça Davis para o estádio de futebol do Lille, este fim-de-semana.

Enquanto belgas e gauleses lutam pela Saladeira no gigante Stade Pierre Mauroy vale a pena fazer uma rápida viagem pelos palcos mais bizarros escolhidos para acolher a maior competição por equipas da modalidade.

1. O maior de todos: Grand Stade de Lille

lilletenis

O tamanho importa. É essa a convicção da seleção francesa ao levar, pela segunda vez, a final da Taça Davis para ao estádio de futebol do Lille. A primeira vez da equipa gaulesa no o Stade Pierre Mauroy aconteceu em 2014, quando o estádio se encheu com 27 500 espetadores. Um recorde de audiências absoluto na competição por equipes, que não se revelou tão proveitoso como os gauleses gostariam. A Suíça de Roger Federer e Stan Wawrinka decidiu provar que, nestas coisas, o desempenho conta sempre mais.


2. O mais intimidante: Praça de touros de Córdoba

epa02868611 General view of the bullring in Cordoba, Andalusia, southern Spain, 16 August 2011, where work has begun to adapt the bullring and install a tennis court for the Davis Cup semi final between Spain and France to be held from 16 to 18 September 2011. EPA/SALAS (MaxPPP TagID: epaphotos089110.jpg) [Photo via MaxPPP]

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Em 2011, a Espanha decidiu começar a mostrar a sua raça mesmo antes de pisar o court, ao anunciar que a meia-final diante da França seria jogada na mítica Praça de touros de Córdoba. Num local onde os animais são tradicionalmente condenados à morte, os 1600 lugares foram poucos para os que quiseram ver Rafael Nadal a dar valentes marradas em Richard Gasquet e Jo-Wilfried Tsonga para colocar a Espanha na final que viriam a vencer.


3. O mais histórico: Arena de Nimes

Quais gladiadores, os gauleses usaram o antigo anfiteatro romano da cidade francesa de Nimes em três ocasiões para compromissos da Taça Davis. Da escolha resultaram duas vitórias e uma derrota para os “Les Bleus”, num bonito e histórico cenário, que estará na memória dos franceses, principalmente pela eliminatória diante da Austrália, em 1991. Com o confronto dos quartos-de-final empatado, o capitão Yannick Noah decidiu lançar para a arena um inexperiente mas  guerreiro de 18 anos chamado Fabrice Santoro. Com recurso a quatro sets, aquele que viria a ser conhecido como “o mágico” colocou a França na final. Meses mais tarde, levantaram a Saladeira, em Lille.


4. O mais antigo: Longwood Cricket Club

Dwight Davis era aluno do quarto ano na aclamada Universidade de Harvard quando, em 1899, decidiu pegar no conceito na América Cup de vela, que opunha americanos e britânicos, e adaptá-lo ao seu desporto de eleição, o ténis. Um ano mais tarde, entre 7 e 10 de agosto o duelo entre os dois países voltava a acontecer, mas já no Longwood Cricket Club em Boston. A competição começou por se chamar Lawn Tennis Challenge International, mas viria mais tarde a ganhar o nome de BNP Paribas Davis Cup, em homenagem ao seu fundador, falecido em 1946. Desde esse primeiro confronto, disputaram-se mais 14 em Longwood, tendo o último deles acontecido em 1999, com a Austrália de Pat Rafter a derrotar os EUA de Pete Sampras.


5. Mais alto: Quito Tennis Club

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Os jogadores equatorianos não são propriamente conhecidos pelos altos voos dados nos circuitos principais, mas quando toca a jogar nas alturas não há pai para eles. E se é verdade que é na cidade de Guayaquil, a maior do Equador, que as eliminatórias da Davis têm lugar, normalmente, mentira não é que, volta e meia, a seleção equatoriana leva os seus adversários para a capital, Quito. Uma decisão que os coloca logo em vantagem, ou o Quito Tennis Club não estivesse a 2800 metros acima da água do mar. A última vez que isso aconteceu foi em 2003, diante da Roménia.


6. O mais sinistro: Estádio Nacional de Chile

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Se há história que prova que os desafios de hoje não são os de ontem, dentro e fora do court, é esta. Vejamos: Pinochet chegara ao poder há três anos quando, em 1976, o Chile aguardava a URSS para a meia-final da maior competição por equipas. Problema: a seleção visitante nunca chegou a aterrar em Santiago, a capital chilena.

Os soviéticos quiseram protestar contra a ditadura e o Chile foi declarado vencedor, desafiando os italianos na final, que não se recusando a viajar para a América do Sul, não ficaram sem mostrar o seu total desagrado com as políticas daquele país. A jogarem no Estádio Nacional, que foi usado como campo de concentração da ditadura, em 1973, os italiano optaram por substituir o azul dos seus equipamentos pelo vermelho, cor desprezada pelo General Pinochet, no decisivo encontro de pares. No final, vitória italiana!

Sobre o autor
- Descobriu o que era isto das raquetes apenas na adolescência, mas a química foi tanta que a paixão se mantém assolapada até hoje. Pelo meio ficou uma licenciatura em Jornalismo na Escola Superior de Educação de Viseu e um Secundário dignamente enriquecido por cadernos cujas capas ostentavam recortes de jornais de Lleyton Hewitt. Entretanto ganhou (algum) juízo, um inexplicável fascínio por esquerdas paralelas a duas mãos e um lugar no Bola Amarela. A escrever por aqui desde dezembro de 2013.

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