Shapovalov: «Sou tímido mas no court sinto-me um animal diferente, um entertainer»

Denis Shapovalov tem 19 anos, feitos de fresco, em abril, mas foi como um homem de barba rija que se apresentou à revista GQ, para uma entrevista com consideráveis níveis de maturidade. Atualmente na 26.ª posição do ranking, o talentoso canadiano vai mirando os lugares cimeiros da hierarquia, mas, admite, com outro grande objetivo na dianteira.

“Tornar-me número um do mundo e ganhar Grand Slams faz tudo parte do sonho”, adiantou, “mas, sinceramente, o meu grande objetivo é fazer crescer o ténis no meu país. É esse a minha meta principal”. Os planos estão traçados, com consciência da fragilidade que separa a expetativa da realidade.

“Nunca pensei em alcançar no top 100 como da forma que alcancei. Aconteceu mal entrei no circuito. Foi impressionante. Não estava preparado. Gostei das duas primeiras semanas, mas comecei a sentir o peso nos ombros”, desabafou o recém-semifinalista do Mutua Madrid Open, sublinhando que é “difícil explicar isso para as pessoas que não fazem parte do circuito, para os meus amigos”

“Eles dizem, ‘és um sortudo, viajas e conheces o mundo inteiro’. Sinto que sou privilegiado, mas também nunca estou em casa, não vejo os meus pais, a minha família, o meu cão. Não é nada fácil”. Sacrifícios que lhe têm valido grandes proezas no court, o sítio onde a magia acontece.

“Como pessoa, sou tímido e não me sinto assim tão entusiasmante, mas no court sinto-me um animal diferente. Nós somos ‘entertainers’. É essa a nossa tarefa: dar um bom espetáculo aos fãs. Cresci à espera de jogar nos grandes palcos, em frente a grandes públicos, e fico muito feliz por conseguir fazer isso. Sinto que o importante é ir para o court e expressar tudo aquilo que sinto pelo ténis”.

O tipo de postura de um jovem ponderado que o tornou, há um par de semanas, em Madrid, no novo número um canadiano e no mais jovem semifinalista em 17 anos de história do maior torneio da Península Ibérica.

 

Sobre o autor
- Descobriu o que era isto das raquetes apenas na adolescência, mas a química foi tanta que a paixão se mantém assolapada até hoje. Pelo meio ficou uma licenciatura em Jornalismo na Escola Superior de Educação de Viseu e um Secundário dignamente enriquecido por cadernos cujas capas ostentavam recortes de jornais de Lleyton Hewitt. Entretanto ganhou (algum) juízo, um inexplicável fascínio por esquerdas paralelas a duas mãos e um lugar no Bola Amarela. A escrever por aqui desde dezembro de 2013.

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