Será que a esquerda a uma mão ainda tem o mesmo encanto?

A esquerda a uma mão é, para muitos, a pancada mais bonita do ténis. No atual top-100 do ranking ATP, só 21 jogadores não utilizam a mão esquerda (ou a direita, no caso dos canhotos) para bater a pancada e o passado recente leva a crer que esse número tem tendência para reduzir cada vez mais. O ATP World Tour falou com os donos das melhores esquerdas a uma mão do Mundo e perguntou-lhes a sua opinião sobre esta pancada tão especial.

Grigor Dimitrov, o segundo jogador mais jovem do top-30 (depois de Dominic Thiem) a bater a esquerda a uma mão, não nega que o sentido estético tem o seu encanto. “Para mim sempre foi a pancada mais fascinante. Treino-a há imensos anos e continuo a pensar que ainda posso melhorá-la. É aquela pancada que podemos sempre melhorar porque ela permite-nos variar ao ponto de fazer de tudo em court: na passada ao longo, na passada cruzada, podemos usar o slice. É uma pancada mais viva e extravagante.”

Para Stan Wawrinka, é tudo uma questão de… tempo. “Tem tudo a ver com o timing e com o jogo de pés que antecede a pancada. Mudei de duas mãos para uma mão aos 11 anos, a conselho do meu treinador da altura e tornou-se mais fácil para mim”.

Richard Gasquet, por seu turno, nunca teve quaisquer dúvidas em como bater a esquerda. “Sempre bati a esquerda a uma mão, mesmo nos tempos em que batia apenas a brincar com o meu pai. Gostava de ver o Sampras e a forma como ele batia a esquerda.”

Até Novak Djokovic, número um do Mundo e detentor de uma das melhores esquerdas a duas mãos da história do ténis, chegou a bater apenas a uma mão. “A minha antiga treinadora tentou convencer-me a bater a esquerda a uma mão quando eu era mais jovem, porque ela estava muito impressionada com a forma como o Pete Sampras e o Pat Rafter jogavam na altura. Mas eu era muito magrinho e os meus adversários começaram a colocar-me bolas altas para a esquerda, às quais eu não conseguia chegar com a esquerda a uma mão.”

Será que a esquerda a uma mão corre o risco de acabar? Gasquet acha que não… graças a Federer. “O melhor jogador da história, o Roger, usa-a e acho que isso é importante para que no futuro os jovens também comecem a aprendê-la.”

Talvez Gasquet não vá gostar de saber que Roger Federer equacione ensinar aos seus quatro filhos a bater a esquerda… a duas mãos. “É normal que as crianças quando aprendem a jogar batam as duas mãos, porque ao início as raquetas são pesadas, é mais fácil controlar a bola, por isso se fosse ensinar os meus filhos a jogar talvez também começasse por ensinar a bater a duas mãos.”

Sobre o autor
- Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Jornalista do Jornal Record desde 2013. Entrou no Bola Amarela em 2008 e ainda por aqui está, a escrever sobre a modalidade que verdadeiramente o apaixona.

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