Roger Federer premeditou o 18.º Grand Slam? «Foi como tivesse tido uma visão»

Pode admitir: olhou para o título e pensou, ‘alto, que há aqui alguma coisa que não bate certo’. Ter Roger Federer e a palavra “visão” no mesmo perímetro frásico soa a piada, ou não estivéssemos a falar de um dos jogador mais terra-a-terra que vai calcando o circuito e que se recusa a tirar os pés do chão, a menos que seja para um bom smash em suspensão.

Mas é isso mesmo. Por aqui, ninguém se enganou a escrever, e, por aí, ninguém precisa de aumentar a dioptrias das lentes. O suíço de 35 anos, que conquistou o muito pouco premeditado 18.º título do Grand Slam há um mês e meio, revela que avistou o tão almejado troféu quando ainda (quase) todos duvidavam.

No quinto set do braço-de-ferro com Rafael Nadal, em Melbourne, Federer viu a sua vida a andar para trás quando foi quebrado de entrada pelo maiorquino, mas garante que tudo se tornou inevitavelmente claro para si a partir do momento em que recuperou o break de desvantagem.

“Foi o ponto de viragem”, confessou o helvético, em entrevista ao Tages Anzeiger, e cujas declarações são citadas pelo Punto de Break.“Sabia que se fizesse o break tudo iria mudar radicalmente e que eu iria ganhar”.

“Foi incrível, como se tivesse tido uma visão, foi um momento extraordinário. Isso mostra a importância da mente”, destacou o campeoníssimo suíço, lamentando o facto de não ter jogado de igual forma em situações semelhantes. “Devia ter jogador mais solto, com menos medo, naquelas finais equilibradas contra o [Novak] Djokovic no Open dos Estados Unidos e em Wimbledon [ambos em 2015]. Foi uma pena”.

Feitas as lamentações, Federer regressa ao esclarecido momento vivido instantes antes de ter vencido o Major número 18 da carreira. “Digo, sinceramente, que até nesse momento [com break de desvantagem] eu acreditei que ia ganhar. Era a primeira vez no encontro que estava em desvantagem, por isso não havia a necessidade de entrar em pânico. Num quinto set, se está 2-4 ou 3-5 tem de se ter sorte, mas com 1-3 dá para se jogar suficientemente solto”, frisou Federer.

Sobre o autor
- Descobriu o que era isto das raquetes apenas na adolescência, mas a química foi tanta que a paixão se mantém assolapada até hoje. Pelo meio ficou uma licenciatura em Jornalismo na Escola Superior de Educação de Viseu e um Secundário dignamente enriquecido por cadernos cujas capas ostentavam recortes de jornais de Lleyton Hewitt. Entretanto ganhou (algum) juízo, um inexplicável fascínio por esquerdas paralelas a duas mãos e um lugar no Bola Amarela. A escrever por aqui desde dezembro de 2013.

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