João Sousa faz anos – e eis mais 6 bons motivos para lhe darmos os parabéns

Desde aqueles surpreendentes oitavos-de-final no Estoril Open de 2008, que se revelaram um perfeito lamiré do que estava por vir, o então franzino e endiabrado João Sousa cresceu a palmos vistos.

O equipamento que chegava para dois passou a ser ocupado por uma atlética e resistente estrutura física, o ténis amadureceu e os resultados desabrocharam ao ponto de ser o melhor português que o circuito ATP já conheceu.

Manteve-se, para bem dos pecados dos fãs de ténis portugueses (haters à parte), a paixão pelo jogo, a fome de vitórias, a aguerrida e combativa postura no court e, como que a mostrar que a genuína vontade de por cá andar é a mesma que os ingénuos 18 anos deixavam transparecer, o boné virado para trás.

Hoje, o nosso melhor de sempre, campeão de dois títulos ATP e orgulhoso vimaranense completa 29 anos, e as razões para lhe darmos os parabéns vão muito para além da óbvia. Para assinalar a data, reunimos (apenas) seis bons motivos para fazer tchin tchin ao jogador que tanto nos tem brindado com gloriosos resultados.

O tweener lob que correu mundo

Sem dúvida que esse ponto vai ficar registado na minha memória como um dos melhores pontos da minha carreira

João Sousa jogava em Umag, na Croácia, nós por cá estávamos a vê-lo abrir caminho até à final, com grande classe. Logo a abrir as hostilidades, o vimaranense deu-se ao luxo de engendrar o melhor ponto do torneio, ao arrancar um tweener lob que acabou a correr o mundo. Foi destaque na imprensa de todo o mundo, mas não precisamos de ir muito longe para atestar a espetacularidade do momento. O vídeo partilhado pelo Bola Amarela teve mais de 1,2 mil likes, 1,2 mil partilhas e chegou quase às 100 mil visualizações:


As picardias com Frederico Marques

João Sousa e Frederico Marques, Frederico Marques e João Sousa. De uma forma ou de outra, mas não separados, porque eles não se vêem um sem o outro desde que o destino os juntou em Barcelona, quando um tinha 15 e o outro 18 anos. E se as peripécias que têm partilhado no court são incríveis, as que protagonizam longe dos holofotes dão pano para mangas:

“O João detesta perder comigo e eu detesto perder com ele. Mesmo no telemóvel. Houve um jogo que ele começou a jogar antes de mim e eu acordava às 4 horas da manhã e ia para a casa de banho jogar para conseguir mais pontos. Ele acordava de manhã e dizia ‘mas como é que é possível?!’, e eu caladinho. Ele não percebia como é que aquilo acontecia porque jogava mais horas. Mas ele é muito melhor do que eu em muitos jogos. Como sabe que o triatlo é uma coisa que eu faço bem, ‘pica-me’. Há uns dias, saímos 3 horinhas de bicicleta e sempre que me via a subir, acelerava para tentar deixar-me para trás. Realmente nisso ele é muito bom, é muito competitivo, e por isso é que está onde está” [Frederico Marques em entrevista ao Bola Amarela em 2014].


Os melhores de olho em si: Roger Federer e Mats Wilander

“Continuo a pensar que o João pode, num quadro bom, chegar mais longe num Grand Slam. Tem jogo para chegar a uns quartos-de-final de um major, porque tem um ténis muito físico, consistente. É um jogador sólid”. [Mats Wilander ao Eurosport]

“O João [Sousa] é boa pessoa. Gosto de discutir futebol com ele. Está sempre bem-disposto, tem uma boa atitude, e estou sempre à espera que ele jogue ainda melhor” [Roger Federer ao Jornal A Bola]


O mais poliglota do circuito

Português, catalão, castelhano, inglês, francês e italiano. É só escolher, porque João Sousa fala seis línguas com tal desenvoltura que o torneio de Roland Garros o considerou o mais poliglota do circuito, há um par de anos. “Sempre gostei de aprender outras línguas com amigos, na escola, enquanto criança. Não tenho medo de falhar algumas palavras, isso é importante para aprender. O italiano foi nos torneios, é muito semelhante ao espanhol. É fácil para mim aprender”. Croata? “Não, acho que não. “Mas talvez haja alguma croata disposta a ensinar-me… Estou a brincar, claro”.


Reconhecer o seu próprio som quando bate na bola: check

João Sousa podia ter perfeita e compreensivelmente dispensado participar no nosso desafio depois de ter sido afastado por Nicolas Almagro na segunda ronda do Millennium Estoril Open do ano passado, mas aceitou entrar na brincadeira com doses generosas de galhofa e fair play.

O teste passava por tentar reconhecer o seu próprio som quando bate na bola. Desafio superado, mesmo que, desconfiamos, Gastão Elias ainda continue a teimar que não…


No topo do

Deixar o melhor para o fim. Quem nunca? João Sousa é campeão de dois títulos ATP 250 – isto continua a soar tão incrível como sempre, passados quatro anos e meio depois de conquistado o primeiro e dois anos e meio depois do segundo. O palmarés foi inaugurado em Kuala Lumpur, na Malásia, o segundo em Valência, Espanha. Ainda dá (e dará) arrepios:

 

 

Sobre o autor
- Descobriu o que era isto das raquetes apenas na adolescência, mas a química foi tanta que a paixão se mantém assolapada até hoje. Pelo meio ficou uma licenciatura em Jornalismo na Escola Superior de Educação de Viseu e um Secundário dignamente enriquecido por cadernos cujas capas ostentavam recortes de jornais de Lleyton Hewitt. Entretanto ganhou (algum) juízo, um inexplicável fascínio por esquerdas paralelas a duas mãos e um lugar no Bola Amarela. A escrever por aqui desde dezembro de 2013.

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