Frederico Marques: «O João sai animicamente reforçado de Viana»

Da eufórica festa no court para a sossegada sala de estar do Clube de Ténis de Viana. João Sousa tinha já alinhado uma categórica vitória sobre Jarkko Nieminen em três sets, confirmando a seleção nacional no palyoff de acesso ao Grupo I, quando Frederico Marques, visivelmente satisfeito, mas algo cansado, conforme admitiu, se sentou à conversa com o Bola Amarela para analisar os três dias da Taça Davis, sem desviar as atenções do que resta da temporada.

A assumir funções de “conselheiro” no seio da comitiva portuguesa, usando a sua experiência e conhecimento do circuito ATP em prol do grupo, o treinado do número um nacional confessou estar muito contente não só com o que viu sair da raquete do seu pupilo como com a prestação de todos os jogadores que fizeram do fim-de-semana em Viana do Castelo um verdadeiro hino ao ténis nacional.

“O nível que a equipa tem não combina com o grupo em que estamos agora, mas sim onde já estivemos. O objetivo é ajudar Portugal a subir ao Grupo I, tentar mantê-lo lá e poder ir a um playoff do Grupo Mundial”, revelou o técnico de 29 anos.


“Uma nova era da Taça Davis”

Quanto à eliminatória que se segue, em setembro, frente à Bielorrússia, Frederico assegura que o seu jogador estará mais do que disponível para marcar presença, como tem feito até então.

“O João nunca disse que não à seleção e eu, como treinador, apoio todo este ambiente. “Como ouvimos o João dizer, esta é uma nova era da Taça Davis, com as pessoas a apoiar muito mais, até mesmo nas redes sociais se ouve falar mais da Taça Davis. Claro que pode haver uma lesão, um problema, mas se continuar como até agora, um dos objetivos é tentar ajudar Portugal a subir no grupo”.


De Viana para Umag

Sem tempo para descansos, João Sousa regressa esta terça-feira ao court no ATP 250 de Umag, na Croácia, para defrontar o wildcard local Toni Androic.

“Não o conhecemos muito bem, é um convidado, mas ao ser convidado de um país como a Croácia tem certamente um bom nível”, previu. Já fez algumas meias-finais de Challenger. Vamos pensar um bocadinho em nós, na recuperação. O João sai com confiança, jogou em Portugal, ganhou dois singulares e um par, está rodado. São vitórias para a parte psicológica e sai reforçado animicamente daqui, acrescentou.


Top-40 até ao final da temporada

Entrar com um triunfo na terra batida croata é, para já, a preocupação da dupla portuguesa, mas olhando para o que se avizinha, Frederico sabe exatamente o que quer ver acontecer até ao final da temporada:

“A parte da relva não estava correr tão bem como no ano passado. Os sorteios também não foram muito favoráveis – Feliciano López, Gilles Simon, o próprio [Stanislas] Wawrinka num Grand Slam -, mas anteriormente jogou muito melhor a época de terra batida que no ano passado, está equilibrado. Foi praticamente o melhor ano da carreira dele em terra batida.

Vamos tentar dar continuidade ao nível apresentado e tentar ser ambiciosos para conseguir acabar perto do seu melhor ranking, que foi 35. Os nossos objetivos passam por aí, tentar acabar dentro dos primeiros 40″, garantiu.


Um jogador mais completo

E se a presença do treinador do melhor português de sempre teve como principal finalidade tornar o seu conhecimento sobre os jogadores finlandeses numa mais-valia para a seleção, a verdade é que Frederico sai do clube nortenho mais convicto ainda da maturidade do vimaranense no court.

“Está um jogador mais completo, um jogador mais estável emocionalmente”, assegurou Frederico, afirmando ainda que o jogador de Guimarães está cada vez mais intrometido entre os melhores do circuito.

“O João está mais metido no circuito, ele próprio começa a acreditar que não precisa de jogar tão bem para poder ganhar e isso dá uma tranquilidade diferente. Não precisa de sentir que precisa de jogar muito bem para conseguir uma vitória, já sente que jogando normal também ganha. Temos um João de outro nível, um João de top-50”.

O vimaranense entra em court esta quarta-feira, pelas 16h45 (transmissão Sport TV)  nos courts de terra batida de Umag, na Croácia, para defrontar o wildcard local e 363.º mundial, Toni Androic, com quem nunca mediu forças anteriormente.

Sobre o autor
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Descobriu o que era isto das raquetes apenas na adolescência, mas a química foi tanta que a paixão se mantém assolapada até hoje. Pelo meio ficou uma licenciatura em Jornalismo na Escola Superior de Educação de Viseu e um Secundário dignamente enriquecido por cadernos cujas capas ostentavam recortes de jornais de Lleyton Hewitt. Entretanto ganhou (algum) juízo, um inexplicável fascínio por esquerdas paralelas a duas mãos e um lugar no Bola Amarela. A escrever por aqui desde dezembro de 2013.

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