Federer: «Quando me lesionei em 2016 senti-me pela primeira vez como o Rafa»

Diferentes nos estilos e na maneira de ser, Rafael Nadal e Roger Federer nunca antes estiveram tão próximos. Pessoal e profissionalmente. Partilharam pela primeira vez o mesmo lado do court, na Laver Cup, elevando a sua longa relação de incompatibilidade a níveis de intimidade jamais esperados, e repartiram de forma quase milimétrica os louros de 2017.

A ajudar à festa, o jornal L’Equipe recusou eleger apenas um, e distingue os dois, em simultâneo, como os melhores atletas do mundo em 2017. Justo? “Sim”, defende Federer, em entrevista ao jornal francês. “Alguns dirão que não, outros que sim. Fizemos os dois coisas extraordinárias. Ele terminou o ano como número um, é até o jogador mais velho a fazê-lo, não sabia. Algo que eu nunca consegui, por isso, por esse prima, ele merece”, continuou o suíço de 36 anos.

“Ele regressou à competição, tal como eu. Eu tenho mais cinco anos do que ele, o que complica mais as coisas. E venci-os em todos os confrontos (4). Podemos misturar tudo isto da forma que quisermos, mas eu lido bem com isso”. Deixando as comparações para quem está de fora, Federer centra-se naquilo que os aproximou.


“Perceber como o Rafa se sentiu no passado aproximou-me mais dele”


O recordista de títulos do Grand Slam revela que até ter passado pela cirurgia ao joelho, no ano passado, nunca tinha conseguido colocar-se na pele do espanhol de 31 anos. “No passado, quando ele se lesionava ou era operado, como eu nunca tinha passado por uma cirurgia, era difícil colocar-me na sua pele. Em 2016, quando ele melhorou e eu me lesionei, senti-me pela primeira vez como ele se sentiu quando estava lesionado. Perceber como o Rafa se sentiu no passado aproximou-me mais dele”.

Momentos duros, aos quais se seguiram tempos de bonança. Depois de seis meses afastado, Federer regressou em janeiro para arrecadar o Open da Austrália. “Por um lado, é bom estar em casa, fugir de tudo, mas, ao mesmo tempo, uma lesão não é brincadeira, revela uma fragilidade. Tenho consciência de que há problemas de saúde muito mais graves, mas, para um atleta, uma lesão pode significar o seu fim. Percebo melhor o Rafa hoje do que antes. Antigamente, era do género, ‘sim, tudo bem, percebe o que ele quer dizer, mas…’. Hoje, está tudo mais claro”, concluiu o helvético.

 

Sobre o autor
- Descobriu o que era isto das raquetes apenas na adolescência, mas a química foi tanta que a paixão se mantém assolapada até hoje. Pelo meio ficou uma licenciatura em Jornalismo na Escola Superior de Educação de Viseu e um Secundário dignamente enriquecido por cadernos cujas capas ostentavam recortes de jornais de Lleyton Hewitt. Entretanto ganhou (algum) juízo, um inexplicável fascínio por esquerdas paralelas a duas mãos e um lugar no Bola Amarela. A escrever por aqui desde dezembro de 2013.

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