As cábulas que ajudaram Murray a passar no teste final em Pequim

Não é novidade para ninguém que Andy Murray é dos mais empenhados e dedicados alunos dessa grande e competitiva escola que é o circuito, assim como também não o é a sua inclinação para usar de forma despreconceituosa os chamados auxiliares de memória nos testes com maior nível de exigência.

As cábulas que leva para o court e às quais vai deitando o olho nos momentos de maior aperto tornaram-se famosas na sua caminhada gloriosa em Wimbledon, e este domingo, durante a final de Pequim diante de Grigor Dimitrov, voltaram a chamar a atenção das câmaras mais indiscretas.

Mas o que são exatamente os apontamentos que ajudaram o número dois mundial a dominar o búlgaro e a conquistar o quinto título do ano? Não mais do que orientações táticas e dicas motivacionais. “Notas personalizadas”, no fundo, como lhe chamou o próprio Murray durante o torneio de Wimbledon. A saber:

– Ataca o seu segundo serviço;
– Não deixes que ele comande com a sua direita;
– Quando ele jogar em slice, tenta jogar para a sua direita e certifica-te de que a bola leva “alguma” coisa;
– Ataca a sua direita para o fazeres deslocar-se para a esquerda;
– Joga com altura e velocidade para a sua esquerda sempre que puderes;
– Mexe as pernas com intensidade;
– Tem calma e respira;

E foi de respirar fundo que Murray terá precisado no momento em que percebeu que havia câmaras a bisbilhotarem os seus pertences. “Não gosto quando olham para o que eu tenho dentro do saco, porque são notas pessoais”, avisou o escocês depois da final deste domingo. “Tento escondê-las para as manter só minhas. Eles [os cameraman] estão mesmo ali, em pé. Não gosto disso. Não é para toda a gente ver, caso contrário eu iria afixá-los na cadeira do árbitro para que todos os pudessem ver”.

Quanto aos seus efeitos, o britânico de 29 anos garante que as dicas se tornam uma mais-valia “nas situações de maior pressão, nos momentos importantes”, já que é quando “é fácil pensar sobre outras coisas e ficar distraído. Às vezes, no final dos jogos ou na mudança de lado basta dares uma olhadela e isso ajuda a concentrares-te no que está a acontecer, e isso ajuda-te a ganhar o encontro. Descobri que isso me ajudava, e é por isso que o faço”, esclareceu.

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Murray a consultar uma das suas “cábulas” durante o torneio de Roterdão, em fevereiro do ano passado

Sobre o autor
- Descobriu o que era isto das raquetes apenas na adolescência, mas a química foi tanta que a paixão se mantém assolapada até hoje. Pelo meio ficou uma licenciatura em Jornalismo na Escola Superior de Educação de Viseu e um Secundário dignamente enriquecido por cadernos cujas capas ostentavam recortes de jornais de Lleyton Hewitt. Entretanto ganhou (algum) juízo, um inexplicável fascínio por esquerdas paralelas a duas mãos e um lugar no Bola Amarela. A escrever por aqui desde dezembro de 2013.

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