37 razões para darmos os parabéns a Roger Federer

Fazendo uso de um estilo que faz parecer o ténis ilusoriamente simples e fácil de reproduzir, Roger Federer alcançou impensáveis feitos e quebrou inúmeros recordes ao longo uma carreira que tem tanto de surpreendente como de resistente. Vinte anos depois de se ter tornado profissional, o suíço é um nome incontornável na história da modalidade e um atleta de referência quando o assunto é algo tão abrangente como o desporto.

Esta quarta-feira, aquele que é, incontestavelmente, o tenista que mais consenso reúne no seio dos adeptos da modalidade, completa 37 anos e, por aqui, presta-se a homenagem devida. Como? Apontando (insolentemente) 37 razões para dar os parabéns a Roger Federer:

1. Joga ténis que se farta

Por mais óbvio que seja, não pode ser ignorado. Mais que não seja porque nunca é demais rever alguns das melhores pancadas que saíram da raquete do habilidoso helvético nas duas últimas décadas.

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2. Não se intimida com mulheres de pulso forte

E não dispensa a companhia de uma, em particular: Mirka Federer. Fervorosa apoiante, mãe dedicada e mulher que não teme grande decisões e responsabilidades, a antiga jogadora tornou-se mulher do suíço em 2009, nove anos depois de se conhecerem. Nessa altura, Federer tinha 18 anos, zero títulos e pouca ou nenhuma vontade de passar largas horas no court. Mais velha, mais paciente e com um forte sentido de disciplina, Mirka inspirou o seu futuro marido a trabalhar tanto quanto fosse preciso para cumprir todo o seu potencial. Pouco depois, Federer passou a ter sessões de treino diárias de seis horas. No início do ano, na ressaca do 20.º título do Grand Slam, na Austrália, Federer voltou a admitir que anda por cá até que a mãe dos seus filhos queira.

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4. Poupou para a pré-reforma

Não há que ter apenas a fama, há também que ter o proveito. E Roger Federer, nisso, é exímio. É que se o suíço vai estando com um certo avançar de idade para esta coisa do desporto de alta competição, a verdade é que é graças a essa plena consciência de que o corpo não responde da mesma maneira que há 10 anos que o suíço continua a ganhar como há uma década. O segredo é, precisamente, tratar-se como um velho: descanso bem calculado entre os torneios, planificação criteriosa do calendário, gestão de energia durante os encontros e noites bem dormidas. Há quem poupe para a reforma, Federer poupou para a pré-reforma.

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4. Nunca desiste

Mandar a toalha ao chão não é e muito dificilmente virá a ser solução para Federer. À conta disso, o suíço não só protagonizou incríveis reviravoltas na sua carreira, como levou todos os seus encontros até ao fim. Os mais de 1500 duelo travados foram terminados por via do match point.

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5. Faz filhos aos pares

Não sai mais barato, mas poupa tempo e viagens à maternidade, sobretudo a Mirka, esposa e competente promotora de vitórias. Parece que foi ontem que a gravidez da sua mulher foi anunciada, mas, entretanto, Federer tem a correr lá por casa dois pares de gémeos (ou três, se contarmos com os seus sobrinhos): Charlene e Myla, que têm agora nove anos, e Leo e Lenny, de quatro anos.

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6. Não se envergonha do passado

Era preguiçoso, partia raquetes como gente grande e, imagine-se, chegou a usar não só franja como um longo carrapito. O ‘eu’ jovem de Federer ficaria sobejamente espantado com o bom e velho Federer de hoje: amigo chegado da poderosa Anna Wintour, editora-chefe da revista Vogue, com quem partilha a primeira fila das maiores passerelles do mundo, e eleito Homem mais Elegante do Mundo em 2016.

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7. Um exemplo para os mais novos

Ter tantos anos de carreira como a juventude do circuito tem de vida dá a Federer total legitimidade e plena liberdade para apaziguar as mentes sobressaltadas de quem tudo quer, já e agora. Perante a derrota precoce de Alexander Zverev no Open da Austrália, Federer aconselhou calma ao jovem alemão.

“Disse ao Sascha para ser paciente, para não meter pressão desnecessária sobre os seus ombro. Dei-lhe uma palmada no ombro e disse-lhe, ‘anda lá, não foi assim tão mau, podia ser pior’. A primeira vez que o consegui foi em 2003, tinha 22 anos. Antes disso tinha alcançado uns quartos-de-final e perdido na primeira ronda”.

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8. Emana classe

Desde a sola dos ténis (ou dos sapatos pontiagudos) ao mais desobediente dos cabelos que compõem a sua farta cabeleira.

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9. Os outros em primeiro (adversários não contam)

Assumida e descaradamente egoísta dentro do court, Roger Fedeer é um grande praticante do altruísmo fora dele. Tanto oferece pizza aos apanha-bolas no torneio de Basileia como investe 12 milhões de euros na construção de 81 jardins-de-infância no Malawi.

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10. É o pai dos tweeners (já não lhe chegavam os gémeos)

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11. Nunca se leva demasiado a sério (nem quando tem o maior rival a rir-se na sua cara)

Passados oito anos, continua a ser um dos vídeos mais contagiosamente engraçado de que há memória no ténis. Grande parte da piada está naquilo que não se vê na Câmara mas que não escapa a nenhum de nós: uma das grandes e mais fascinantes rivalidades da história do ténis e do desporto mundial a ser celebrada com gargalhadas.

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12. Pede dicas de beleza aos adversários

Andy Murray: Há muito tempo que não faço uma sessão de ‘Perguntas & Respostas’, portanto vamos a isso. Tenho 30 minutos.
Roger Federer: Andy Murray, como é que consegues ter o teu cabelo tão encaracolado?
Andy Murray: Roger Federer, ahah! Não trato tão bem do meu quanto tu! Vi como abanavas o teu durante a sessão fotográfica, ontem.

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13. Deixa os seus adversários brilhar

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14. Gosta de fazer de conta

Quando joga ténis na playstation, os jogadores escolhidos são normalmente… Rafael Nadal e Gael Monfils.

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15. Sabe tocar piano

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16. Sabe cantar

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17. Sabe representar

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18. E até tem olho para a sétima arte (ou apenas queda para mulheres com bochechas cheias?)

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19. Sabe sempre escolher uma boa companhia

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20. É o mais asseado dos jogadores

Raramente transpira, ajeita o cabelo antes de servir e não suja as meias, por mais fino que seja o pó-de-tijolo.

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21. Sabe fazer as escolhas certas

“Gostava do meu papel como jogador de ténis. De a culpa ser minha quando perdia. De a culpa ser minha quando ganhava. Gosto mesmo disso, porque também joguei muito futebol e detestava quando tinha de meter as culpas no guarda-redes”.

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22. É amigo dos animais

É o leão que se pode orgulhar de ser o animal preferido do suíço, mas é com as vacas que tem uma ligação especial. Depois de vencer pela primeira vez Wimbledon, em 2003, foi-lhe oferecida uma vaca, que batizou de “Julieta”.

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23. É modernaço e dado às selfies

Chillaxing at the beach earlier in the week

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24. Não dispensa uma boa festa rija

“Deitei-me às cinco da manhã e tenho a minha cabeça a fazer barulhos. Não me lembro de nada do que aconteceu, acho que bebi muitos tipos de bebidas diferentes”, admitiu Federer no dia seguinte ao triunfo em Wimbledon, no ano passado.

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25. Não perde uma oportunidade de passar a perna ao adversário

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26. Segue o seu lema à risca

“É bom ser uma pessoa importante mas é mais importante ser uma boa pessoa”.

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27. Ele nunca (mas nunca) se leva demasiado a sério

28. Aquela esquerda

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29. Aquela capacidade de desenrasque que deixa os adversários enrascados

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30. Desde cedo que mete tudo em pratos limpos

Só decidiu começar a comer carne a partir dos 14 anos.

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31. Não tem medo de dar o primeiro passo

Estávamos em 2000, mais precisamente nos Jogos Olímpicos de Sydney, quando o feliz acaso se deu. Mirka aventurou-se a pedir um autógrafo, mas o primeiro grande passo foi dado por Federer, três anos mais novo. “Passámos duas semanas juntos e, no último dia, antes de irmos embora, beijei-a pela primeira vez. Ela disse-me: ‘és muito novo’. Eu respondi: ‘bom, eu tenho quase 18 anos e meio…’. Arriscado mas certeiro.

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32. Apoio incondicional aos seus

Festejou a conquista do seu amigo Stan Wawrinka em Roland Garros, em 2015, como se da sua se tratasse (com braços no ar e alguns pulos, conforme confessou) e quando se trata de futebol – do FC Basileia, principalmente – o entusiasmo não abranda.

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33. Chora como qualquer homem de barba rija

Porque os homens, os que têm arcaboiço e coragem para continuar a tentar superar-se, ano após anos, e a provar que há ainda muitas razões para se manter por cá, colocando-se em posição de poder falhar redondamente com o alto estatuto que ocupam, só não choram se forem uns meninos. Nesta 106.ª edição do Open da Austrália, Federer voltou a mostrar ser um perfeito homem de barba rija.

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34. No que toca a recordes, não há pai para ele

Além de ser recordista de títulos do Grand Slams (20) e de ser o jogador da história da modalidade que mais tempo passou na liderança do ranking (302 semanas), o suíço é titular de muitos e diversos recordes. Por exemplo: É o jogador que alcançou mais finais do Grand Slam (30), meias-finias (43) e quartos-de-final (52), o que mais participações coleciona (73, a par com Fabrice Santoro). É o jogador com mais encontros ganhos em Majors (333) e o único que chegou pelo menos a cinco finais dos quatro Grand Slams. E podíamos ficar aqui até o dia todo.

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35. Está cá para dar e durar

Enquanto uns o querem sentar na cadeira de baloiço e colocar-lhe a manta pelos joelhos, ele vai mostrando que ainda lhe corre muito sangue na guelra. “O meu amor pelo ténis está intacto. Vou ser claro: espero voltar ao Centre Court de Wimbledon em 2017”. Voltou e ganhou. Que não voltemos a duvidar da palavra do trintão mais vigoroso do circuito.

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36. Dá os louros a quem os merece

“Os meus fãs são incríveis. Fazem com que me sinta em casa em todos os sítios onde jogo. Sem eles, já me teria retirado do ténis há pelo menos uns seis anos”.

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37. Tem sempre uma lição a dar: Dêem banho aos vossos filhos, mas vejam onde metem o joelho

Das inúmeras história que Federer terá para contar aos netos, há aquela muito boa que começa com um banho dado aos filhos e que acaba consigo na sala de operações pela primeira vez na sua carreira, ao fim de quase vinte anos no circuito. Reza a lenda que a operação ao menisco o obrigou a parar durante seis meses e que, quando regressou, sem ritmo e sem sentir o peso de uma taça das de grande porte há cinco anos, venceu o Open da Austrália. E depois Wimbledon. E novamente o Open da Austrália. Diz, quem já acredita, que foi mesmo incrível.